Covarde
Vamos recortar a mandíbula com uma tesoura: as duas lâminas abrem caminho através das bochechas, e pele e carne não oferecem resistência, mas é preciso persistência para separar nervos e músculos. A tarefa não pode ser perfeitamente executada, e talvez seja preciso quebrar as pontas da ferradura antes de terminar de desprender o queixo do pescoço e arrancar o maxilar. Assim, ao arrastar a pessoa em alta velocidade pela perna, os dentes da arcada superior são rapidamente degradados e estilhaçados no asfalto. Podemos insistir no deslizamento até a gengiva virar uma massa púrpura e ensujeirada. Não, não uma guilhotina, mas um machado afiadíssimo para, com golpes muito fortes e firmes, decepar os braços pedaço a pedaço, centímetro a centímetro — é claro que precisamos vendar os olhos, para manter o suspense do próximo golpe. Prender os pés em um mecanismo que os torça e os retorça até não poderem mais: os ossos são descolados, os músculos são estalados, os tendões são rasgados. A carne é torcida até terminar de se romper em fitas, como uma vidraça que cai de pé sobre o pântano de tecido vermelho. Usar um isqueiro para pacientemente cavocar pequenas queimaduras de terceiro grau ao longo do abdômen, matando o nervo, tostando a carne e borbulhando a gordura, uma cova negra por vez: perfeito para fincar o dedo e fazer a pele queimada deslizar e descolar sobre a graxa humana amarelada com nódoas escarlates. Quebrar o osso da perna e enfiar o fêmur farpado em um dos olhos, esfregando a medula no humor vítreo; experimentar da concocção amarga na ponta da língua e escarrar na órbita vazada. Prender um pequeno número de anzois no outro olho: e não fisgar os anzois, mas lá deixá-los indefinidamente. Empalar com uma fina lança envolta por arame farpado em brasa viva e então apontar e gargalhar até a morte! Decapitar para violentar o esôfago ainda morno de sangue, e finalmente abrir a caixa torácica para forçada e descuidadamente retirar os pulmões e defecar sobre o coração, esse miserável mendigo.
Eu teria medo se fizessem essas coisas comigo.
Categorias: autodigestões | Tags: anatomia, pathos

Arrastar a pessoa? Também não entendi a parte da ferradura, a parte de enfiar o fêmur no olho esfregando a medula no humor vítreo… Olha, você continua ruim escrevendo receitas de cordeiro, viu?
Eu não ficaria dando idéias, não são só os amigos que lêem nossos blogs.
Ferradura é a forma do maxilar; as pontas da ferradura são as partes que se encaixam no crânio. E era receita de pato de Pequim…
E eu nem tenho inimigos… Além do mais, se fosse necessário, eu não teria problemas em executar os métodos descritos — o que talvez sirva de desestímulo para eventuais inimigos.
que é isso?
baixou o quentin tarantino em vc? rs