O que fazer na internet
Eis um aspecto da adolescência que ainda não abandonei: se todo dia eu fosse forçado a passar muitas horas na internet, provavelmente não me importaria.
A carga do conhecimento e do entretenimento humano já alcançou o seu ápice de sustentação individual: se uma pessoa, a partir de sua alfabetização, dedicar sua vida inteira a exclusivamente absorver erudição e diversão, não conseguirá esgotar qualquer dos dois. É como tentar beber um oceano que se multiplica a cada segundo.
Mas a verdade é que vasta parte da realidade meramente não nos interessa. Quantos estão interessados em entender como funciona um motor a combustão, quais são as proteínas que fazem as asas da libélula agitarem-se, ler os versos do mais famoso poeta húngaro? Ainda assim, há muitos interesses que nos podem ser universais — ou, na pior das hipóteses, universalmente benéficos. Seguem minhas sugestões.
1. Se você já não sabe, aprenda inglês. Inglês é a língua da internet e, por bem ou por mal, ele abrirá muitas portas. Os livros clássicos e gratuitos, as notícias, as receitas, os ensaios, as opiniões, o mundo: considerável parte disso está em inglês.
Leia artigos do Wikipedia em inglês simples ou notícias da BBC voltados para estudantes de inglês, sobre assuntos que você já conhece; ouça músicas, acompanhando as letras, com um dicionário ou outro em mãos; consulte os inúmeros sites com dicas gramaticais ao largo da internet (como este ou este), se necessário.
2. Aprimore sua erudição. Você pode baixar e ler trinta mil livros no Project Gutenberg, estudar detalhadamente mais de vinte mil pinturas e esculturas europeias no Web Gallery of Art, assistir a milhares de horas de documentários em dezenas de categorias diferentes no Documentary Heaven.
Não diga “eu gosto de museus”; visite-os. Para visualizar fotografias antigas, folhear mapas de séculos, vislumbrar manuscritos originais, temos o World Digital Library, apoiado pela Unesco. (Também em português.) Para ter acesso a mais de dois mil audiobooks em diversas línguas, visite o Librivox. Música erudita pode ser encontrada no Musopen.
3. Interaja com o inferno. As oportunidades de encontrar e conversar com pessoas das mais diversas culturas são infinitas. Encontrar pessoas com os mesmos interesses que você, para organizar eventos ou encontros, trocar informações e experiências, enriquecer seus contatos. Há salas de bate-papo, fóruns dos mais diversos assuntos e sites voltados para os públicos mais específicos e inimagináveis. Não importa quão bizarras sejam suas fantasias — há milhares de outras pessoas com as mesmas perversões, e cada vez mais elas estão em maior número na internet. Você não é único; junte-se à chuva e corra pela montanha.
4. Vaze sua mente. Faça uso de seu computador e a inacreditável facilitação que ele proporciona ao seu potencial criativo. Escreva. Desenhe. Componha. Projete. Edite espiraladamente. Faça com que sua voz perca-se em meio à voz da multidão, entrelaçando sua existência ao organismo vivo e pulsante da humanidade.
5. Acumule cultura inútil. Eu não sei nem por onde começar.
Independente do que você faça, não se esqueça: o singular culpado pelo seu tédio é a sua própria preguiça. E mesmo que você esteja com preguiça, também há um clube para isso.
Categorias: exposições | Tags: internet

‘dorei o musopen
Você é associado do clube de nadismo?
Parabéns cara, você tem uma mente muito aberta. Se o mundo tivesse mais pessoas assim ele seria melhor. Abraço.
Senti uma coceirinha na orelha…
Meu caro, está de parabéns pelo excelente texto, realmente concordo são inúmeros os exemplos que nós internaltas podemos escolher, para se aventurar e explorar.
Afinal de contas a cultura está aí, solta pela net só temos que acessar…
muito criativo.otimo
Gosteiii!!!!!!1!
Muito bom amigo
parabéns
grande abraço
fica com Deus!!!